O universo tem vários ciclos e nossa vida é apenas um deles. A teoria dos ciclos foi elaborada a partir da observação dos ritmos da natureza na qual todos nós estamos inseridos. O termo “ciclo” aqui pode gerar uma ilusão de algo mais parecido com um círculo, sem início nem fim e incontáveis repetições. Prefiro entender os ciclos como uma espiral em que alguns eventos se repetem, mas nunca exatamente iguais. Dentro de cada espiral, temos inúmeras espirais: os subciclos. Pode parecer confuso, mas na prática é um processo maravilhoso.
Observe a natureza: O planeta terra demora 1 ano para completar uma volta ao redor do sol, este seria um ciclo. Neste intervalo, temos as estações do ano que seriam subciclos e, dentro de cada estação, podemos ciclos ainda menores de dias e noites, seguindo até chegarmos aos microciclos do giro de um átomo.
É interessante perceber que vários ciclos acontecem simultaneamente, vinculados ou independentes. As épocas de plantio e colheita dependem das estações do ano, mas o nascimento de um bebê pode acontecer em qualquer fase, desde que respeitando o ciclo reprodutivo.
Alguns começam e terminam antes do encerramento do ciclo que os criaram, enquanto outros extravasam o ciclo referenciado. Algumas plantas tem o seu ciclo inteiro em um ano, enquanto outras demoram vários anos antes da primeira colheita.
Observamos que muitos ciclos só iniciam após o término do ciclo anterior, como por exemplo os frutos que só crescem após a época das flores, a expiração que só ocorre após a inspiração, nos mostrando a importância dos períodos de expansão e retração.
Percebemos que alguns ciclos têm seus prazos bem definidos, enquanto outros começam e terminam inesperadamente. Podemos prever de quanto em quanto tempo o sol vai nascer no horizonte, mas é imprevisível quando teremos chuva dentro de um ciclo diário.
A impermanência dos ciclos é real, sejam bons ou ruins. Precisamos perceber como estamos incluídos nos ciclos da vida e saber a melhor forma de iniciar e encerrar cada fase.
Ao finalizar uma etapa, é necessário colher e guardar as sementes para o próximo plantio. Se consumirmos toda a safra, precisaremos buscar externamente novas sementes, o que nos consome muito mais energia. É muito importante plantar o nosso melhor a cada ciclo, escolhendo as melhores sementes para gerar as melhores plantas e os melhores frutos. É como uma preparação para o ciclo vindouro.
É necessário aprender a lidar com nossas inquietações e limitações. Para a verdadeira renovação é indispensável transmutar os sentimentos negativos para entrarmos mais leves em um novo ciclo. Precisamos de autoaceitação e amor próprio. A autopercepção nos torna mais capazes de enxergar quando precisamos mudar a rota ou encerrar um ciclo.
Compreender as fases ou ciclos da vida é importante para aprendermos mais sobre nós e sobre o outro, adquirindo mais expertise no cuidado com as pessoas. Saber sobre cada etapa nos permite saber mais sobre as crises e lidar melhor com elas.
Em cada etapa da vida apostamos naquela realidade e investimos o melhor que podemos nela. Quando nos deparamos com algumas circunstâncias, podemos agradecer por tudo o que foi vivido, mas que neste momento não faz mais sentido. Nesta hora nos damos conta que estamos em uma nova etapa de vida. Precisamos eliminar coisas, sentimentos e posturas que não nos proporcionam crescimento, que nada nos adicionam e que podem até nos criar empecilhos.
A nossa maior conquista é saber que a própria vida está em constante processo de evolução e que podemos nos recriar, colocando em pratica os valores que precisamos alimentar, nos aprimorando e aprendendo com os erros do passado. “Somos seres itinerantes na trajetória da vida e estamos aqui para aprender, para evoluir”.
Recriar, renascer, reinventar e superar. Podemos fazer uma transição suave entre os ciclos se conseguirmos perceber em que fase estamos, quando não tentamos nos agarrar a um ciclo que se encerra, quando conseguimos ressignificar a nossa realidade. Permanecer em um ciclo que já se fechou é altamente desgastante, enquanto estar disponível, aberto e receptivo para novas oportunidades e experiências é o que torna a vida mais leve.
Desejo que você possa olhar os problemas como desafios, a dor como meio de aprendizagem, as mudanças como oportunidade e a insatisfação como combustível para uma nova busca. Se o processo será fácil ou desafiador depende de como você percebe cada acontecimento e do seu autoconhecimento.